Winter is Coming

10, abr, 2021 | Artigos | 2 Comentários

Por Diogo Fontana

Não sei se o leitor compartilha o meu sentimento, mas vejo nuvens carregadas e tenho a impressão de que uma grande sombra se projeta no mundo. Não gosto do futuro que se desenha até onde o posso alcançar.

Vivemos num tempo de grande confusão. O vírus misterioso que corre por aí leva gente ao desespero e à loucura. Nos quatro cantos do planeta, a terra treme, as águas invadem as praias e os vulcões despertam do seu sono profundo, e muito embora ainda não seja conclusivo um aumento comparativo da atividade sísmica, os eventos intensos e quase simultâneos das últimas semanas, na Indonésia, na Itália, na Grécia, na Islândia, no Havaí, no Japão e na Nova Zelândia, não são para deixar ninguém indiferente.

Mas tem mais praga bíblica recaindo sobre nós. Não bastasse a peste e os abalos tectônicos, os gafanhotos voltaram. Voltaram e infestam continentes e nações, levam terror aos camponeses, quebram as safras, devoram os grãos, são arrastados pelo vento em nuvens quilométricas através dos campos e platôs da África, da Ásia e da Argentina.

Umas das explicações convincentes para essa profusão de fenômenos extraordinários é a teoria do grande mínimo solar, que se contrapõe à do aquecimento global antropogênico, e aponta para um mundo no qual as temperaturas não estão aumentando, mas estão diminuindo, diminuindo tanto que muitos falam inclusive no advento de uma mini-era do gelo que se prolongará por duas ou três décadas e cujo prenúncio já estaríamos vendo, por exemplo, na espantosa neve que caiu em Pequim no meio do último verão.

O Sol, como tudo na natureza, tem uma atividade cíclica e esta pode ser razoavelmente mensurada e prevista por meio da observação telescópica. Diversos ciclos solares já foram identificados, alguns de pequena, outros de grande duração. Notou-se que a cada duzentos anos, mais ou menos, ocorre um enfraquecimento solar suficiente para surtir efeitos sobre o clima e sacudir a nossa vida. Na última vez em que isto aconteceu registrou-se “o ano sem verão”, 1816, quando os lagos e rios da América do Norte permaneceram congelados durante o mês de julho.

Alguns cientistas também reconheceram um outro ciclo mais longo, de cerca de quatrocentos anos, em que o astro entra em hibernação e as manchas observáveis na sua superfície quase desaparecem, o que indica o início de um ciclo de resfriamento severo da Terra. É neste ciclo que acabamos de entrar no ano passado e só vamos sair em 2053. Durante este tempo o campo magnético do Sol e a sua atividade diminuirão em 70%. A perspectiva é que se repitam episódios incríveis como os que ocorreram no século XVII tais quais o congelamento do rio Tâmisa, em Londres, ou a nevasca em Creta, em pleno mar Mediterrâneo, ambos eventos de 1608. Aliás, um observador atento, que tenha visto os acontecimentos do mês de fevereiro no Texas, a onda de frio glacial impressionante que fustigou sem piedade o grande estado americano e deixou milhões de pessoas sem eletricidade e água durante dias, ou as notícias vindas da Europa, onde praias inteiras foram congeladas e a baixa temperatura castigou dezenas de nações, não poderá escapar à impressão de que um inverno global já começou.   

Existem outras consequências temíveis e pouco compreendidas do mínimo solar. A intensidade do campo magnético do astro reduz-se ao longo deste período e o resultado é um acréscimo na emanação de raios cósmicos que atingem o nosso planeta. Isto pode trazer graves problemas para os satélites em órbita ou até mesmo danificar a nossa infraestrutura de eletricidade, como já aconteceu em 1859, quando uma tempestade solar fritou o sistema de telégrafos em algumas partes do mundo.

Não falta também quem acredite que a radiação cósmica seja responsável por estimular a atividade vulcânica na Terra, conforme demonstram uma pesquisa publicada no site da NASA e um estudo japonês, segundo o qual há uma correlação estatística com grau de confiança de 96,7% entre o despertar dos vulcões e o repouso do Sol. O nexo entre os fenômenos ainda é meramente conjectural. Talvez a radiação solar cause mudanças atmosféricas capazes de alterar a rotação da Terra e abalar suas entranhas, sacudi-las tanto ao ponto de suscitar tremores e erupções. Talvez seja isso, talvez não. O que temos de concreto, porém, é uma simultaneidade intrigante na qual não custa prestar atenção.

Mas ainda não acabou! Trago mais notícias ruins. Um estudo interdisciplinar publicado na Índia em 2020 afirma que “quase todas as pandemias anteriores ocorreram durante anos de mínimo solar”. Os pesquisadores sugerem que os raios cósmicos que bombardeiam a Terra intensamente durante este ciclo do Sol podem provocar mutações genéticas em vírus pré-existentes, em especial, vejam só, naqueles que habitam morcegos e outros animais noturnos. E já que falamos em bichos, mencionemos um estudo internacional muito recente, um estudo que – e acredito que a esta altura já não venha como surpresa ao leitor – descobriu evidências de causalidade entre, adivinhem, o ciclo solar e a infestação de gafanhotos.

Pestes, terremotos, vulcões, pragas de insetos. É este o mundo em que vivemos agora.

A queda da temperatura média global provocará decréscimo contínuo na produção de alimentos e traz consigo um elemento potencial de desestabilização social, econômica, política e demográfica. Não por acaso, alguns historiadores vêem uma correspondência entre os ciclos climáticos e a ruína das civilizações e impérios. Do colapso da era do bronze à queda das dinastias chinesas, passando pelo abandono das cidades maias, pela falência do empreendimento viking na Groenlândia, e até mesmo pelas invasões bárbaras que deram cabo do império romano, há gente que aponta as mudanças climáticas como uma das forças propulsoras das grandes mudanças históricas.  

O demônio é que os grandes magnatas e os líderes mundiais, estes deuses iluminados pela ciência e pela razão, ao invés de alertar o público e ajudá-lo, como a formiga da fábula, a estocar alimentos e se preparar para o inverno, resolveram que era chegado o momento de dobrar a nossa cerviz, que era chegada a hora de remodelar a economia em benefício próprio, e que nada mais urgia senão esfregar o seu coturno bilionário em nosso rosto contra o chão. Que timing! Pois essas criaturas caridosas vêm espalhando há anos, por meio dos seus empregados na imprensa e no cinema, a narrativa do aquecimento global. E agora, se estiverem errados, ou pior mentindo, e a teoria do grande mínimo solar se revelar verdadeira, o resultado será cataclísmico, ao menos para quem não pode pagar três milhões de dólares por um bunker de luxo.

Que tempos! Vejo o espectro de uma grande fome, uma carestia de proporções maoístas, ganhar forma diante de uma humanidade entorpecida e dispersa. A crise climática somada à crise econômica em gestação, ao desemprego em massa já ocorrente, ao próximo colapso do dólar, às revoltas populares, às tensões diplomáticas, à proliferação nuclear, e aos crescentes rumores de guerra, tem tudo para assemelhar a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial a um passeio no parque, uma coisinha de nada. Temo que veremos horrores sobre a terra e estamos condenados a beber um cálice amargo de sofrimento e purificação. Contemplo com tristeza a degradação hipocondríaca de uma geração infeliz e mundana, a minha, incapaz de lidar de forma equilibrada com o desafio menor do coronavírus, mas que terá de enfrentar em breve um desafio muito maior.

Não deixa de haver certa beleza trágica e muita ironia nesta situação. A humanidade transida de húbris, tão crente no progresso da tecnologia e das ciências naturais, tão cheia de si que vislumbrava catástrofes de sua própria autoria, receberá a maior das lições e se verá humilhada e impotente diante dos poderes do cosmos.

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Detalhes do autor

Diogo Fontana

Nasceu em Curitiba em 1980. É autor do livro “A Exemplar Família de Itamar Halbmann”.

Já escreveu artigos para o jornal Gazeta do Povo e para os sites Brasil Sem Medo, Mídia Sem Máscara, Senso Incomum e Estudos Nacionais.

Mora em Santa Catarina, com a esposa Gabriela e o filho Constantino.

2 Comentários

  1. MÁRCIO LUÍS CHILA FREYESLEBEN

    Que texto alvissareiro! Somente uma catástrofe pode nos salvar da degradação civilizacional. Se a previsões apocalípticas do texto se concretizarem, talvez uma nova civilização possa ressurgir, como base na boa e velha cultura cristã de 2.000. Não estou falando de Juízo Final, pois não nos é dado saber quando virá. Acredito na Providência Divina intercedendo por nós para punir a humanidade por sua arrogância e soberba. Texto maravilhoso.

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