Um Comentário sobre Rapunzel

8, fev, 2021 | Artigos | 0 Comentários

Por Ademir Amaral

Aos 12 anos de idade Rapunzel é trancada em uma torre. Por que aos 12 anos? À parte o que possa haver de simbólico no número 12, essa é a idade em que boa parte das moças entra na puberdade. A velha bruxa, sua mãe adotiva, não quer que a jovem seja sexualmente desejada.

Passam-se os anos e o segredo da moça na torre virginal é descoberto: um príncipe ouve-lhe o canto e escuta o código usado para que Rapunzel lance como escada seus cabelos dourados. A menina tornou-se uma bela mulher. Ao vê-la o príncipe logo lhe pede a mão em casamento.

Rapunzel aceita, mas pede que o Príncipe lhe traga a cada visita um pedaço de seda para construir uma corda com que pudesse descer da torre. Por que um pedaço de seda a cada encontro em vez de uma corda pronta? Ora, paralelamente a essa corda com que poderá sair da Torre, Rapunzel está tecendo com o Príncipe outro tipo de cordão, o do relacionamento. Antes de ir com ele, quer conhecê-lo, ter uma experiência de namoro. Cada encontro é um elo a mais no vínculo dos dois.

Numa das versões, há o casamento e a geração de filhos ainda na Torre — o Príncipe conhece Rapunzel carnalmente. Quando já estão perto de escapar, chega a bruxa, o Príncipe cai e fere os olhos nos espinhos, e Rapunzel é lançada na Floresta.

Começa a jornada do Príncipe. Para reencontrar seu amor, só lhe resta o mais espiritual dos sentidos: a audição.

“Eu dormia, mas meu coração velava. Eis a voz do meu amado” (Ct 5, 2).

Não lhe é possível reencontrar a amada pela beleza física dela, é só pelo timbre da voz, esse timbre que é a manifestação mais pura da identidade de Rapunzel, a primeira coisa que chamou a atenção do Príncipe antes ainda da visão da formosura da jovem, a tradução mesma da alma dela, é só pelo timbre da voz que ele retorna a ela, no seio da Floresta, depois de ter atravessado o Deserto.

Após a busca da amada a visão do Príncipe é devolvida pelo contato com as lágrimas de Rapunzel. Purificado pela noite escura de seus sentidos, acrisolado pelo Deserto, o amante revê a amada, desta vez para uma união mais profunda, mais ardente, mais espiritual.

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Detalhes do autor

Nome do autor

Nascido em Pedra Preta, MT, em 1995, Ademir Amaral vive em Rondonópolis, MT, onde graduou-se em Ciências Biológicas. É aluno do Curso Online de Filosofia, do professor Olavo de Carvalho, e trabalha com revisão, tradução e ensino de idiomas.

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