O Perenialismo Guenoniano e suas Ramificações

24, fev, 2021 | Artigos | 1 Comentário

Por Fábio Lins Leite

 
Vejam a raridade com que alguém se torna um santo na Igreja. Ou um iluminado no Budismo. Ou menos que isso: quantas décadas uma pessoa leva para compreender a complexa simbologia de uma cultura apenas indo mais além das analogias de formas e temas.
 
Com o contato mais frequente e fácil entre as culturas, começou a surgir a presunção de codificá-las todas de uma forma científica ou filosófica. Daí surgiram as religiões comparadas, os esoterismos mais variados e a iniciativa mais bem sucedida de todas: o perenialismo guenoniano e suas ramificações.
 
Eu li algumas das obras de René Guénon e Fritjof Schuon entre a adolescência e os meus vinte e poucos anos. Mas nunca me iludi sobre a alegação impossível, deles e de seus seguidores, de que possuíam a chave universal da simbólica cosmológica. Guenón não entendeu nem o Kardecismo. Ele e Schuon, e boa parte dos seus melhores seguidores, são apenas boas mentes lógico-matemáticas que absorvem e processam uma quantidade incomum de dados, mas não chegam a nenhuma referente no mundo real. Tudo o que chamam de cosmologia sagrada são suas próprias teorias que, em narcisismo louco, atribuem ser a verdade secreta de todas as religiões. Não é nem Hinduísmo, nem Islamismo, nem Cristianismo que o modus operandi e a forma mentis guenoniana ensinam, mas apenas as teses sem comprovação ou fundamento concreto que, por racionais, são acessíveis a qualquer burro e, por isso, consideradas verdade universal. É uma forma de aprender a falar segundo os estilos e signos de cada religião, mas referindo-se sempre a uma unidade coesiva que é alheia a elas e, no final das contas, são as teses e teorias da própria pessoa. É uma loucura total, pois o diabo simplesmente quer colocar Deus abaixo de si.
 
Religiões comparadas e perenialismos desejam sentar em cima de Deus e do diabo,pôr absolutamente tudo sob a chave da personalidade e mente do “mestre” e “professor”.
 
Se querem um pouco de “simbologia” vejam os ícones da Virgem Maria: sempre apontando para Cristo, ou sempre ao lado Dele de alguma forma. Nunca a Virgem Maria é colocada ou se coloca como a chave de tudo. O segundo maior ser humano que já existiu também disse “importa que eu diminua e Ele cresça”. Essa é a lição.
 
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Detalhes do autor

Fábio Lins Leite

Nasceu no Rio de Janeiro. É professor de inglês e tradutor. Pós-graduou-se em teologia ortodoxa no Hellenic College Holy Cross, nos Estados Unidos.

1 Comentário

  1. L. Lima

    Sei que o prof. Olavo e seus alunos possuem certa tara em criticar Guénon e Schuon, mas até o momento me parece que a relevância desses dois é comparável a de um youtuber em relação ao mundo acadêmico. O que o Pirula importa para o avanço da Biologia como ciência moderna? Guénon, Schuon… enquanto isso, Gerald Massey e sua fantástica obra sobre mitologia egípcia seguem desconhecidos. Moisés nasceu e foi criado na Sabedoria egípcia, duradoura como Gizé, preparando-se para trazer ao mundo a cultura que receberia o Messias. Não existe religião comparada. Existe entender os símbolos ou não. O resto é poesia.

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