A Rússia é comunista em segredo?

3, dez, 2021 | Artigos | 0 Comentários

Este artigo faz parte do livro “As mentiras em que acreditamos”, publicado em agosto de 2021. 

Por Jeffrey Nyquist

Muitos não acreditarão na verdade. Mas aqui está: a camarilha dominante na Rússia não é nacionalista. Os verdadeiros grupos nacionalistas são perseguidos na Rússia. Os principais partidos políticos do país são liderados por apparatchiks; isto é, por pessoas “soviéticas”.

Um famoso desertor da KGB certa vez sugeriu que os partidos políticos da Rússia são meros ramos do Partido Comunista, separados em subunidades para dar a aparência de uma democracia. Se um partido verdadeiramente independente aparecesse na Rússia, os comunistas e seus amigos (que ainda controlam a segurança do Estado) rapidamente se infiltrariam e tomariam conta dele.

O que vemos hoje na Rússia é uma clássica trapaça ao estilo soviético. A prova dessa trapaça pode ser encontrada no discurso pró-comunista de Putin no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes de 2017, realizado em Sóchi. Putin declarou abertamente o seu apoio aos jovens comunistas, dizendo que eles representam o futuro e que ele está por trás deles.

O apoio russo ao comunismo hoje é mais do que mera propaganda da boca para fora. O governo russo apóia regimes comunistas em todo o mundo. Moscou está ajudando o regime marxista-leninista na Nicarágua. Moscou enviou tropas para defender a Venezuela comunista. Moscou ajudou a Coréia do Norte com tecnologia militar e também facilitou o crescimento militar da China.

Em que sentido essas ações são nacionalistas? Os verdadeiros nacionalistas não apóiam o comunismo global. Se analisarmos isso com cuidado, indo caso a caso, descobriremos que a Rússia ainda faz parte do Bloco Comunista e que o Bloco está se preparando para a guerra.

No que diz respeito a fingir-se de nacionalista, a Rússia se aproveita de nossa ingenuidade. A política russa freqüentemente se baseia numa “estratégia das tesouras”, na qual o Kremlin apóia os dois lados de um conflito local. Nessa estratégia, um lado é apoiado de maneira aberta (e enganosa), assim como Putin parece apoiar Trump. Enquanto isso, o lado oposto recebe orientação clandestina para apoderar-se do processo de segurança do inimigo.

As guerras afegãs (1979 até o presente) são um exemplo da estratégia das tesouras conforme praticada por Moscou ao longo de quatro décadas. Outro exemplo é a luta contra o extremismo muçulmano de modo mais geral. Mas o exemplo mais ousado é o suposto apoio da Rússia ao nacionalismo, mesmo quando os agentes de influência esquerdistas de Moscou chamam os nacionalistas de “nazistas” e “traidores”.

Quando a esquerda totalitária assumir abertamente o poder nos Estados Unidos, eles podem prender todos os “inimigos de classe” sob o argumento de que são traidores em conluio com a Rússia. E Putin vai rir — porque a Rússia sempre depositou suas esperanças na esquerda americana, não na direita. Mas quase ninguém na mídia entende o jogo.

Poucos especialistas têm uma compreensão real do sofisticado estoque de truques estratégicos da Rússia. Os historiadores militares não entendem muitas das batalhas do século passado porque não enxergam o campo de jogo mais amplo em que as batalhas são apenas um único aspecto de algo que envolve áreas de atividade aparentemente não relacionadas — da corrupção da língua e da cultura à erradicação de Deus, da família e do país.

Todavia o problema não é inteiramente devido a uma falha de compreensão. Grande parte da história recente foi relatada de maneira enganosa por pessoas que sabem que estão mentindo ou não se importam com a verdade. Como Diana West escreveu em seu livro, American Betrayal, “nossos verdadeiros heróis foram marcados com a letra escarlate do século XX — A de anticomunista”. Qualquer pessoa que ameace a narrativa da nova religião sofre o que Eugene Lyons chamou de “uma espécie de ostracismo intelectual”.

O comunismo se escondeu depois de 1991, mas estava mais ativo do que nunca — nas escolas, na mídia, nas ciências e nas artes. Depois de 1991, o Partido Comunista da União Soviética passou à clandestinidade. Esta não foi uma manobra nova. Os comunistas realizaram um ato semelhante de desaparecimento com a Comintern em maio de 1943. Aqueles que pensavam que Stalin havia desistido da idéia da Revolução Mundial estavam tão errados quanto aqueles que acreditam na queda do comunismo hoje.

Todos esses pontos deveriam ser perfeitamente óbvios, entretanto as pessoas são incapazes de enxergar através de tantas mentiras. Essas mentiras agora estão arraigadas na mente popular. Consideramos-nos espertos por saber tudo sobre as “medidas ativas” soviéticas durante a Guerra Fria. No entanto, o suposto desaparecimento dessas medidas esconde a maior medida ativa em andamento de todas.

Comunistas bem informados sabem que a União Soviética ainda existe, por trás da fachada da Federação Russa. A URSS ainda é a pátria soviética e “O Estado-Maior” do movimento comunista mundial. Agora mesmo, o partido comunista está republicando as obras de Lenin com a ajuda da Editora Progresso de Moscou. Sim, é a mesma editora estatal que imprimia propaganda soviética na década de 1960. Aqui nós os pegamos. Aqui, a esquerda não está lamentando o nacionalismo perverso de Putin. Os comunistas americanos estão trabalhando com o Estado russo — agora mesmo, hoje, na promoção de Marx e Lenin. Como isso é possível se Putin é nacionalista?

Obviamente, Putin não é nacionalista. E é por isso que ele está construindo mísseis e armas nucleares o mais rápido que pode. Seu objetivo é esmagar o capitalismo, não apoiar o nacionalismo. Os Estados Unidos podem estar muito próximos da derrota, visto que o momento de “um punho cerrado” chegou. Todos perderam o jogo e agora provavelmente é tarde demais.

Boa sorte com a suposição de que nossa esquerda doméstica chegou onde está sem a orientação russa. Nossos comunistas domésticos estão apoiando as mesmas medidas ativas que a Academia Soviética de Ciências obteve para eles em suas operações de sabotagem e subversão de décadas passadas. Nada mudou de fato desde os anos 1930, exceto que não temos organizações anticomunistas como o FBI ou a Igreja Católica. O anticomunista é uma espécie em extinção. E levando em conta o que vemos por todos os lados, desde a celebridade de Alexandria Ocasio-Cortez até a crença no aquecimento global, a civilização ocidental está perdendo em todas as frentes.

A Rússia ainda é a pátria do socialismo. Putin não é um nacionalista, mas sim um comunista. O Kremlin não queria que Trump fosse presidente. Eles queriam Clinton, e estão formando a AOC para o futuro. O Kremlin, na verdade, mente sobre tudo, mesmo quando não há razão aparente para mentir. Com o tempo, é claro, as razões entrarão em foco.

 

Tradução: Wilson Filho

 

Inscreva-se em nosso canal no Telegram: https://t.me/editoradanubio
 
Siga-nos também no Instagram: https://www.instagram.com/danubioeditoraa/  
 

 

Artigos recentes

A sabedoria do romancista

Qual a importância da sabedoria num romance? É possível que um tolo completo seja um grande romancista? Tolstói agiu como um tolo a vida inteira; e na verdade se torcerem meu braço não sou capaz de dizer um grande romancista que agisse como um sábio.

Os Alienígenas do Presente

A hierarquia do Ser é totalmente desconhecida pelo homem contemporâneo. A falta de instrução religiosa (a catequese virou uma palhaçada piegas) tornou as multidões ignorantes um alvo fácil para toda sorte de pirotecnia ocultista. Ninguém mais entende nada sobre os planos divino, espiritual e psíquico.

A universidade medieval e a contemporânea

Sócrates, que era um grande professor, não oferecia diplomas, e o estudante moderno que sentasse aos seus pés durante três meses exigiria um certificado, algo tangível e externo que pudesse exibir como uma vantagem do seu estudo ― aliás, esse seria um excelente tema para um diálogo socrático.

As Mentiras em que Acreditamos

R$69,90

Em estoque

Detalhes do autor

Autor Aldo Maria Valli

Jeffrey Nyquist

Jeffrey Nyquist é um analista político americano e pesquisador independente, especialista em estratégias de subversão comunista e armas de destruição em massa. Já publicou milhares de artigos em importantes sites ao longo das últimas duas décadas. Mantém o blog pessoal www.jrnyquist.blog. É autor dos livros Origins of the Fourth World War e O Tolo e Seu Inimigo.

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X