A Luta dos Conservadores

22, fev, 2021 | Artigos | 2 Comentários

 
Por Cristian Derosa
 
 
A luta dos conservadores contra a sua criminalização pode estar perdida para sempre se o foco se mantiver em Brasília. O rumo que as coisas tomam está indicando claramente que o campo de batalha é global, internacional. Tanto política quanto juridicamente.
 
A criminalização dos conservadores está intimamente ligada à perseguição ao cidadão comum que se instalou na pandemia, o que representa um chamado a todos para uma luta muito mais abrangente. Máscaras, isolamento, lockdown, vacinas são temas muito mais sérios que demandam ataques urgentes às fortificações inimigas, ao invés de manter-se em defensiva oposição aos poderes locais e restritos a um grupo.
 
A perseguição do dia deve ser enfrentada e denunciada quando ocorre, mas aquela que está sendo anunciada claramente para o futuro próximo precisa ser atacada com todas as forças de que dispomos no presente. A obrigatoriedade das máscaras é muito pior que uma prisão “em flagrante”. A diferença é que a primeira ocorre ao longo de um tempo e com um lento convencimento midiático, uma água que vai esquentando aos poucos. O último tem a força de uma manchete, que por definição é um desafio lançado pelo próprio inimigo, com o tema e o tempo de reação já delimitado.
 
É inegável que os conservadores continuam a responder aos estímulos dados pela mídia, mordendo as iscas. Eu sei, não é fácil deixar de fazer isso quando as iscas não apenas nos chamam, como nos fisgam de fato. Mas a característica mais óbvia dessa situação é que o tempo jornalístico, o da manchete e de suas reações, fica determinado por eles. E isso já permite prever e se antecipar a todas as reações possíveis naquele curto espaço de tempo que nos é dado. É só pensar: quanto tempo um jornalista têm para gerar um fato que dê uma boa manchete? Muito tempo. Quase infinito, pois pode ele ficar provocando uma situação por meses até as coisas se encaixarem na manchete que ele quer dar. Por outro lado, quanto tempo tem o leitor ou alvo da manchete para reagir. Segundos, talvez minutos. Há um tempo para mudar a cabeça do leitor. Passou desse tempo, já era. É narrativa emplacada por muito tempo. Mas em poucos minutos, o que é possível fazer. Quase nada. Tudo esperado. Sua reação já está na própria manchete. Mas há meios de fugir disso sim. E são meio óbvios.
 
Se os conservadores lutarem pela vida e direitos básicos de todos os cidadãos (contra lockdown, máscaras, pelo tratamento precoce) isso naturalmente incluirá a liberdade de expressão dos conservadores. Mas terá a vantagem de chamar a atenção para uma necessidade geral do brasileiro. Se, ao contrário, os conservadores perderem forças com a simples defesa da liberdade de expressão dos conservadores, estarão, sim, lutando para dar voz ao cidadão por meio dos conservadores, mas não terá o mérito da identificação com esse cidadão por meio da defesa dos problemas que o afetam diretamente. O Zé da padaria não está preocupado com liberdade de expressão, mas em poder trabalhar. E o apoio dele é fundamental.
 
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Detalhes do autor

Cristian Derosa

Mestre em jornalismo pela UFSC e autor dos livros: “A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda”(2016), “Fake News: quando os jornais fingem fazer jornalismo”(2019) e Fanáticos por poder: esquerda, globalistas, China e as reais ameaças além da pandemia (2020). Editor e colunista do site Estudos Nacionais e aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho.

2 Comentários

  1. marco silva

    A chamada agenda conservadora terá de ser disseminada de forma natural, intuitiva, pois é disso q trata. A tal posicionamento se opõe o artificialismo do estado tecnocrático, o inimigo a ser abatido. É o mesmo parâmetro de oposição entre o jusnaturalismo e o positivismo jurídico. Seria uma forma didática de, por exemplo, explicar q conservadores não são reacionários etc., desfazendo muitos preconceitos e simplificações disseminadas amplamente durante décadas. E ainda, q a aliança com liberais é pontual.

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  2. RAIMUNDO MARCIO RIBEIRO LIMA

    Excelente observação.
    Essa identidade é extremamente importante, porque, para além da adesão política momentânea decorrrente das circunstâncias que castigam o cidadão comum, deixa muito claro que a perspectiva conservadora é que a melhor traduz o sentido das conquistas locais, portanto, da grande maioria dos brasileiros.
    Não que se lute pela evidência que leve ao mero proselitismo, mas, sobretudo, para destacar que a senda conservadora é fácil de ser defendida e, nesse sentido, também é capaz de permear uma efetiva matriz de consciência política conservadora nas pessoas, saindo do circunstancial para alcançar o substancial no plano de sua compreensão política do mundo.

    Responder

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