A Estratégia Chinesa e o Mínimo Solar

26, ago, 2021 | Artigos | 0 Comentários

Este artigo faz parte do livro “As mentiras em que acreditamos”, publicado em agosto de 2021. 

Por Jeffrey Nyquist

O aquecimento global sempre foi seguido por um resfriamento intenso em ciclos regulares de dois séculos.

— KHABIBULLO ABDUSSAMATOV

ASTRÔNOMO, OBSERVATÓRIO PULKOVO

ACADEMIA RUSSA DE CIÊNCIAS

 

O que não lhe contaram, o que não lhe dirão, o que as medidas ativas foram projetadas para ocultar de você, é o significado do mínimo solar que se aproxima.[1] Se quisermos entender o timing estratégico da China, em termos de ações desestabilizadoras e preparações militares, o próximo mínimo solar precisa ser levado em consideração.

O que é o mínimo solar?

Ele envolve um enfraquecimento cíclico do campo eletromagnético do Sol, resultando em um bombardeio mais intenso dos oceanos por raios cósmicos, aumentando a formação de nuvens de baixo nível que podem refletir até 60 por cento do calor do Sol. Os efeitos sobre o clima incluiriam inundações de primavera mais freqüentes e uma estação de cultivo mais curta nas latitudes do norte. Resultaria, desses e de outros efeitos, uma redução significativa na produção mundial de alimentos.

O governo russo sabe tudo sobre isso. O governo chinês também sabe. E ambos os governos têm se preparado, em segredo. O clima já causou perdas de safra na China (mascaradas pelo discurso de perdas relacionadas à COVID-19). Enquanto isso, o Ocidente tem sido ludibriado com uma medida ativa chamada “ciência do aquecimento global antropogênico”. Na verdade, a “teoria do aquecimento global antropogênico” é uma pseudociência. Alguns dos que promoveram essa pseudociência eram agentes de Moscou. Outros eram “idiotas úteis”.

Ao contrário da narrativa predominante, o aquecimento global é um fenômeno cíclico — como o Dr. Abdussamatov explicou em seu artigo de 2009. Os dogmáticos do aquecimento global antropogênico caluniaram o Dr. Abdussamatov, chamando-o de “picareta”. Mesmo assim, o seu crédito é alto nos círculos do Kremlin. Há alguns anos, quando questionado sobre o aquecimento global, o presidente russo Putin disse: “Eu acredito no resfriamento global”. Putin apóia as afirmações do astrônomo uzbeque, nas quais os seguintes fatos são enfatizados:

…os ciclos de onze anos e dois séculos de variações idênticas e sincronizadas de luminosidade, atividade das manchas solares e diâmetro do Sol, é um dos fatos mais confiáveis averiguados na física solar.

O clima da Terra sempre esteve mudando periodicamente e nosso planeta já experimentou vários aquecimentos globais, semelhantes a este que [agora] observamos. O aquecimento global sempre foi seguido por um resfriamento intenso…

Em 2015, Abdussamatov publicou um artigo na Thermal Science, intitulado “Earth is now entering its 19th little ice age” (A Terra está entrando agora em sua 19ª pequena era do gelo). O governo russo colocou Abdussamatov no comando de todos os experimentos solares realizados na Estação Espacial Internacional. Os cientistas russos e agentes do governo sabem que o Sol é o fator causal número um quando se trata de clima. E sabem que o Sol, como o próprio sistema solar, opera ciclicamente. Também sabem que estamos prestes a entrar no 25º ciclo solar, o qual acreditam que trará uma década de temperaturas mais frias.

Os russos estão certos?

O pesquisador australiano David Archibald concorda com os russos. Seu livro é intitulado Twilight of Abundance: Why Life in the 21st Century Will Be Nasty, Brutish, and Short (O Crepúsculo da Abundância: Por que a vida no século XXI será desagradável, brutal e curta).[2] Archibald cita evidências científicas de que um mínimo solar está diante de nós. Estamos justo agora chegando ao fim de um período de aquecimento. Mas este não foi um período de aquecimento comum. “De 1930 a 2010”, escreve Archibald, “a população mundial aumentou 250% enquanto a produção mundial de grãos aumentou 392%”. Em outras palavras, nós vivemos o maior período de prosperidade da história do homem; mas agora, devido a mudanças no Sol, nossa sorte vai acabar.

Acontece que 1816 foi o pior ano do mínimo solar anterior (também conhecido como Mínimo de Dalton).[3] Archibald avisa: “Uma repetição da experiência climática de 1816 nos cinturões de grãos da região temperada provavelmente resultaria em quase todos os países exportadores de grãos cessando as exportações para conservar os grãos para o consumo interno.” Ele então lista vários países que devem importar grãos para evitar a fome em massa. Quais países estão em maior perigo? Arábia Saudita, Síria, Iraque, Irã, Egito, Israel, Afeganistão, Tunísia, etc. Essas, diz ele, são “populações à beira do colapso”. O capítulo de Archibald sobre a China é intitulado “A China quer uma guerra”. É perfeitamente natural que um país superpovoado, incapaz de alimentar a si mesmo, considere um caminho de conquista.

Consideremos alguns paralelos históricos. A humanidade enfrentou a fome e o frio muitas vezes na história. É quase certo que foi isso que obrigou as tribos germânicas a cruzar o Reno no início do século V, resultando na queda do Império Romano ocidental. Suspeita-se até que o resfriamento global tenha causado o colapso dos impérios sumério e hitita no segundo milênio A.C. Embora não relacionada ao resfriamento global, uma calamidade mais recente é ainda mais ilustrativa do perigo: a Alemanha experimentou a fome durante a Primeira Guerra Mundial, resultando em agressão militar para adquirir “lebensraum” (espaço vital). Os alemães precisavam de mais terras, disse Hitler, para evitar uma repetição da fome que resultou do bloqueio dos aliado de 1914–1919. (Note bem: o bloqueio foi mantido após a guerra, durante a Conferência de Paz de Paris que se reuniu em janeiro de 1919. Em conseqüência, várias centenas de milhares de crianças alemãs morreram de fome e doenças).

Se o resfriamento global ameaça as grandes potências com efeitos mais catastróficos do que os sofridos pela Alemanha em 1914–19, que políticas de agressão provavelmente surgirão? Além disso, com a população global em precários 7,7 bilhões, a questão de quem passa fome e quem come torna-se uma questão política, uma questão de nacionalidades e — como sugere o exemplo de Hitler — uma questão racial. Nesse contexto, podemos perguntar por que a China, na qualidade de regime comunista, adotou recentemente o “grande chauvinismo Han”. O fundador da China comunista, Mao Zedong, denunciava o chauvinismo han. Mesmo assim, os discípulos de Mao estão adotando essa ideologia racial. Com relação a essa mudança ideológica, devemos fazer uma pergunta: essa mudança foi provocada pela aproximação do mínimo solar?

Leia gratuitamente uma amostra do livro “As mentiras em que acreditamos: China, Rússia e a revolução comunista nos EUA”, de Jeffrey Nyquist. 

Pense da seguinte maneira: sabe-se que grandes migrações tribais, envolvendo massas de seres humanos, sob ameaça de fome, infligem guerra e rapina a nações fracas e despreparadas. Os americanos vêem sua riqueza e proezas tecnológicas como vantagens. Mas essas “vantagens” invariavelmente amolecem aqueles que mais desfrutam delas. Hoje, esse amolecimento é chamado de “privilégio branco” — um termo que designa aqueles que estão prestes a ser expropriados, saqueados, ou até mesmo levados a morrer de fome. Se Stalin tirou a comida dos “culaques” ucranianos, matando-os de fome aos milhões para alimentar os bolcheviques nas cidades, como é que o crescente movimento esquerdista de hoje distribuirá a comida durante uma fome global? Ouvimos a retórica dos revolucionários em nossas ruas. Se três bilhões de pessoas tiverem de morrer de fome, quem eles vão selecionar como um “culaque”, que merece morrer de fome? Tocando neste assunto, Lawrence Pierce, autor de A New Little Ice Age, escreveu:

 

A comida se tornará a arma definitiva, e a melhor forma de derrotar seus inimigos sem ser o vilão é só achar uma forma de não enviar comida para eles.

 

Os Estados Unidos seriam, nessas circunstâncias, um dos poucos países exportadores de alimentos em perspectiva. A importância estratégica da América do Norte, em um mundo superpovoado, não pode ser subestimada a partir da perspectiva de um país, como a China, que contém 1,4 bilhão de pessoas — incapazes de se alimentar de sua própria terra. A imensa extensão de terra arável da América, e o caráter deficiente dos estadistas e generais americanos, torna o país um alvo tentador às vésperas do mínimo solar. A atual ativação de uma quinta-coluna comunista em solo americano, e o uso de chantagem econômica (e outras) chinesa contra a elite americana, promete dividir (e conquistar) os Estados Unidos no início do 25º ciclo solar. Isso é uma coincidência ou é uma diretriz? É uma tentativa de arrebatar a provisão alimentícia da América?

Nesse contexto, devemos reavaliar uma das medidas ativas mais significativas promovidas pelos comunistas nas últimas três décadas. A conexão íntima entre o ex-vice-presidente (e ativista do aquecimento global) Al Gore Jr. e um proeminente agente da KGB chamado Armand Hammer (ver o dossiê de Edward Jay Epstein sobre Hammer, link abaixo),[4] é mais do que sugestiva. Junto com ingênuos diversos e aliados comunistas no Ocidente, os serviços especiais russos promoveram a teoria do “aquecimento global antropogênico” desde o início. Foi, sem dúvida, uma fraude estratégica da mais alta ordem.

Nossos grandes centros de aprendizagem não apenas sucumbiram aos ditames do marxismo de Gramsci (discutido em meu ensaio anterior), mas também ao absurdo da “ciência do aquecimento global antropogênico”. Se olharmos mais de perto, parece que nossos grandes centros de aprendizagem são em grande parte compostos de fantoches políticos, ingênuos e mediocridades brilhantes, cujas palavras e lugares-comuns são plagiados das páginas de revistas “liberais”. Ali ainda existe um punhado de pessoas sensatas que foram expelidas da academia — as quais não são bem-vindas no governo e nas grandes corporações. Estas foram excluídas por um processo sutil de ostracismo pelos pares. Estas pessoas desesperadamente necessárias devem ser resgatadas para a nação. Em vez de tirar a verba da polícia, devemos tirar a verba de nossos “grandes” centros de aprendizado e criar novas instituições dedicadas à sobrevivência da nação, livres da interferência e subversão inimiga. Mas, primeiro, devemos ter clareza. Devemos compreender a estratégia do inimigo e a lógica por trás do timing dessa estratégia.

Os leitores são incentivados a estudar os links abaixo e tirar suas próprias conclusões.[5]

 

Tradução: Wilson Filho

[1] https://www.amazon.com/s?k=grand+solar+minimum&hvadid=78271608348644&hvbmt=be&hvdev=c&hvqmt=e&tag=mh0b-20&ref=pd_sl_8wkgkb0eqs_e

[2] Twilight of Abundance: Why Life in the 21st Century Will Be Nasty, Brutish, and Short: https://www.amazon.com/dp/1621571580/ref=cm_sw_r_cp_api_i_zCQ6EbNZMKPA0 — A preliminary sketch.

[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Dalton_Minimum

[4] Edward Jay Epstein, The Hammer File: https://www.amazon.com/-/de/Dossier-Secret-History-Epstein-1996-10-01/dp/B01FKUZHIE/ref=cm_cr_arp_d_product_top?ie=UTF8

[5] NOTAS E LINKS:

The Chilling Stars: A New Theory of Climate Change: https://www.amazon.com/dp/1840468157/ref=cm_sw_r_cp_api_i_hAQ6Eb12XR3WC

https://www.whatsorb.com/news/global-warming-by-co2-or-cooling-by-a-grand-solar-minimum

Cold Sun:

A NASA nega oficialmente a teoria da pequena Era Glacial, agarrando-se à sua obsessão com o CO2: https://climate.nasa.gov/blog/2953/there-is-no-impending-mini-ice-age/

Inscreva-se em nosso canal no Telegram: https://t.me/editoradanubio
 
Siga-nos também no Instagram: https://www.instagram.com/danubioeditoraa/  
 

 

Artigos recentes

Mito e Apocalipse

Nós, modernos, preferimos acreditar que o passado era inteiramente primitivo, que o progresso foi gradual e “evolutivo”. Preferimos acreditar que não houve Era Dourada, nem gigantes ou heróis, nem dilúvio, nem mundo antediluviano.

O Dia do Juízo (conto)

Depois de quarenta minutos, porém, algo de novo pareceu acontecer, uma insinuação, um detalhe, uma disputa, que elevou o tom de voz, e despertou do torpor um segurança, a taquígrafa e o cameraman da TV Justiça.

Uma Mensagem para o Futuro

Não é possível ficar indiferente aos escritos de Jeffrey Nyquist. As análises políticas e os prognósticos manifestos em seus artigos e livros provocam incômodo e insatisfação. Ele não traz boas notícias sobre o futuro, não escreve para agradar. Seu compromisso é com a sinceridade e com a mais estrita honestidade intelectual.

As Mentiras em que Acreditamos

R$67,90

Em estoque

Detalhes do autor

Autor Aldo Maria Valli

Jeffrey Nyquist

Jeffrey Nyquist é um analista político americano e pesquisador independente, especialista em estratégias de subversão comunista e armas de destruição em massa. Já publicou milhares de artigos em importantes sites ao longo das últimas duas décadas. Mantém o blog pessoal www.jrnyquist.blog. É autor dos livros Origins of the Fourth World War e O Tolo e Seu Inimigo.

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X